Instituto Observatório Social prepara pesquisa sobre maquiladoras paraguaias

O assessor executivo do IOS, João Victor Motta, comenta os dados da pesquisa

Na quinta-feira, 6, pesquisadores do Instituto Observatório Social (IOS) apresentaram na sede da Central única dos Trabalhadores (CUT), na capital paulista, os dados da primeira fase do projeto Análise do Déficit de Trabalho Decente em Empresas Maquiladoras Selecionadas.  

Entre os participantes também estiveram representantes da federação sindical IndustriAll Union Global, da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Vestuário da CUT (CNTRV) e da  Confederação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira filiados à CUT (Conticom). 

Em sua primeira etapa já iniciada, a pesquisa tem como objetivo  traçar um perfil das empresas maquiladoras, dos trabalhadores e do comportamento social e trabalhista no Paraguai. Na segunda etapa, será feita uma análise do perfil das empresas selecionadas de acordo com os indicadores de trabalho decente estabelecidos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Saiba mais sobre os indicadores aqui .

A ideia é que o estudo possa contribuir para os movimentos sindicais no sentido de promoverem condições de trabalho decente para os trabalhadores que possuem relações de trabalho precarizadas pela atuação das maquiladoras.

Um dos dados que chama a atenção é a grande quantidade de empresas brasileiras que se instalaram no Paraguai em busca de incentivos fiscais e mão-de-obra barata. “As empresas são atraídas por custos menores com relação à impostos e leis trabalhistas mais flexibilizadas”, explica a coordenadora de pesquisa do Instituto Observatório Social (IOS), Lilian Arruda.

Acompanhe no gráfico abaixo a quantidade de empresas por país de origem:

Em comparação ao Brasil, o cenário laboral paraguaio tem diferenças significativas. Os paraguaios trabalham, por exemplo, em média 48 horas semanais enquanto que no Brasil a  jornada máxima é de 44, e eles também precisam trabalhar mais de dez anos para ter direito a 30 dias de férias anuais. Além disso, os custos trabalhistas no Brasil são maiores e a energia no Paraguai mais barata, o quilowatt-hora é 63% menor do que o brasileiro.

Outro ponto de interesse das empresas no Paraguai são as vantagens competitivas na visão do empresariado que se beneficia da Lei da Maquila, criada há 15 anos e inspirada no modelo já adotado pelo México, que permite a isenção de impostos de importação para empresas estrangeiras.

Confira alguns dos benefícios encontrados no Paraguai pela ótica das empresas:

“Precisamos ficar atentos a esse cenário para que o modelo, no qual existe uma flexibilização de leis trabalhistas muito grande, não seja aplicado no Brasil”, alerta Lilian.

Essa iniciativa é fruto de uma parceria entre a Secretaria de Relações Internacionais (SRI-CUT), a Secretaria de Relações de Trabalho (SRT-CUT), o Instituto de Cooperação da CUT (ICCUT ),a  Central Unitaria de Trabajadores Autentica (CUT-A) Paraguai,  centrais sindicais argentinas e Solidarity Center da federação americana AFL CIO. 

Acompanhe as diferenças das leis trabalhistas entre os dois países:

Crédito da Foto: 
Arquivo IOS
Data e hora: 
06/04/2017 17:15 2017
Data: 
06/04/2017 2017