Mais de um milhão de professores estão mobilizados para a greve geral no dia 15, diz CNTE

Professores protestam em Brasília durante marcha em novembro de 2016

Nesta quarta-feira, 15, movimentos sociais e centrais sindicais estarão nas ruas para protestar contra a Reforma da Previdência Social no ato Dia Nacional de Paralisação. Entre as categorias afetadas drasticamente pela Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 287/2016, que trata da previdência, está a dos professores da rede pública que perderão, por exemplo, o direito à aposentadoria especial. Com a reforma proposta, professores e professoras  terão que trabalhar até os 65 anos e ter 25 anos de contribuição. Na regra vigente para os docentes, os homens  se aposentam com 35 anos de contribuição e as mulheres com 30.

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo, alerta que as professoras terão o tempo de trabalho aumentado em mais de 400%,

O dirigente conversou com o Instituto Observatório Social (IOS) para falar da pauta dos professores nesta paralisação nacional que deve mobilizar 48 entidades filiadas à CNTE.

Instituto Observatório Social (IOS): Quais as expectativas da CNTE para a paralisação geral no próximo dia 15 de março?

Heleno Araújo: Esperamos uma grande mobilização nacional. Muitas entidades já aprovaram a greve a partir do dia 15 e já têm calendário de atividades para a paralisação e assembleias. A paralisação acontece com o apoio de centrais sindicais e das frentes Brasil Popular (FBP) e Povo Sem Medo (FPSM). Estamos com mais de um milhão de trabalhadores da educação mobilizados para essa paralisação e estimamos passar desse número, tanto nas redes municipais quanto estaduais.

IOS:  De que forma a proposta da Previdência Social , a PEC287, afetará os direitos dos professores?

Araújo: Essa PEC é muito prejudicial para os professores, principalmente para as professoras. Elas contribuem hoje com 25 anos e se aposentam com idade mínima de 50 anos. Se essa reforma passar,  ela vai conseguir se aposentar só com 65 anos. Além disso, para elas conseguirem aposentadoria integral, terão que contribuir por 49 anos. Se a PEC for aprovada, o tempo de trabalho das professoras aumentará em mais de 400%. É muito complicado, pois 80% da nossa categoria é formada por mulheres, e todas as pesquisas apontam que um terço da categoria tem a síndrome de Burnout , um conjunto de doenças que afetam o corpo e a mente. Por isso, a categoria dos professores será afetada de forma brutal por essa reforma.  Esse prolongamento do tempo de trabalho poderá provocar mais afastamentos dos locais de trabalho por questões de saúde e ainda onerar estados e municípios que terão que contratar professores substitutos.

IOS:   Com relação aos reajustes salariais, quais são as reivindicações da categoria? Essas pauta estará em debate nessa paralisação?

Araújo: A pauta nacional é a PEC 287, mas cada local na esfera municipal ou estadual poderá agregar pautas específicas de suas categorias porque há lugares que até o momento não cumpriu a lei federal de piso. O reajuste que deveria ser aplicado em 7,64% desde janeiro.     

Crédito da Foto: 
CNTE
Data e hora: 
14/03/2017 14:45 2017
Data: 
14/03/2017 2017