RedLat lança nova pesquisa sobre trabalho decente na América Latina

Comunicação IOS

Os déficits de trabalho decente na América Latina têm aumentado a partir da conjuntura de crise política, recessão econômica e retrocessos na política de Estado dos países da região. É o que aponta o segundo relatório da  pesquisa Trabalho Decente na América Latina divulgada pela Rede Latino-Americana de Pesquisas em Empresas Multinacionais (RedLat) nesta terça-feira, 18. Coordenada pelo Instituto Observatório Social (IOS), a pesquisa analisou as condições de trabalho em sete países que compõem a rede: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Peru, México e Uruguai.

O projeto conta com o apoio da DGB Bildungswerk (DGBBW), entidade de formação e cooperação da Deutscher Gewerkschaftsbund (DGB), central sindical alemã. O objetivo do estudo é oferecer informações qualificadas para fortalecer a atuação do movimento sindical em relação ao tema.   

Entre as análises apresentadas estão indicadores socioeconômicos, oportunidades de emprego, remuneração, proteção social, liberdade sindical e negociação coletiva. A pesquisa leva em conta os preceitos estabelecidos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), que considera o Trabalho Decente uma atividade produtiva, remunerada de forma adequada e exercida em condições de liberdade, equidade, com segurança e dignidade.

As publicações estão disponíveis no site da RedLat  e divididas por país em português e espanhol

Desemprego e informalidade

A falta de acesso ao trabalho decente na região constitui um dos grandes desafios para o movimento sindical, organizações internacionais e governos. A pesquisa destaca que a desaceleração econômica e as crises políticas nos países da América Latina, com forte retomada de agendas neoliberais entre 2015 e 2016, têm piorado os déficits de trabalho decente na região.

“As pesquisas indicam que a crise econômica mundial, acentuada por retrocessos neoliberais com retirada de direitos dos trabalhadores na América Latina, contribuíram para o aprofundamento dos déficits que já existiam na região”, afirma Lilian Arruda, coordenadora de pesquisa do IOS.  A pesquisadora também ressalta que o contexto político dos países da América Latina no momento não é favorável aos trabalhadores.  “Principalmente na Argentina, sob o governo de Macri, e no Brasil com Michel Temer. No caso brasileiro, a crise política que se instaurou com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff foi determinante para o agravamento da crise econômica”, completa.

A OIT estima que 130 milhões de pessoas trabalham na informalidade na região e sem proteção social, o que representa 47, 7%  do total de trabalhadores. Além disso, as diferenças salariais entre homens e mulheres ainda persistem e o grupo de jovens e de mulheres são os que mais sofrem com a falta de emprego. 

Dos sete países analisados, o Uruguai é o que concentra a maior taxa de desemprego entre os jovens, em 2015,  a taxa era de 22,5%, seguido do Chile (16,8%) e Brasil (16,5%).

Em relação à remuneração, o país que oferece o menor salário é o México, em 2015 o valor foi de US$ 134 por mês. Já o país com o maior salário é a Argentina, US$ 548 nesse mesmo ano. Os argentinos também possuem a maior taxa de sindicalização (37%), seguido do Uruguai (34%) e Brasil (17%).  

Os estudo completos estão disponíveis para download gratuito no site .

Crédito da Foto: 
Pixabay
Data e hora: 
18/04/2017 14:00 2017
Data: 
18/04/2017 2017